Como alguns jogos mudaram para sempre a história da indústria

Desde os primeiros experimentos eletrônicos em laboratórios universitários até os gigantescos mundos virtuais contemporâneos, os videogames passaram por uma transformação extraordinária. O que começou como simples experiências tecnológicas nas décadas de 1960 e 1970 evoluiu para uma das maiores indústrias culturais do planeta, movimentando bilhões de dólares e influenciando cinema, música, literatura e até educação.

Mas em meio a milhares de títulos lançados ao longo de mais de cinco décadas, apenas alguns poucos jogos conquistaram algo mais profundo do que sucesso comercial. Eles redefiniram gêneros, criaram padrões de design, influenciaram gerações de desenvolvedores e se tornaram parte do imaginário coletivo.

Esses jogos são mais do que produtos de entretenimento. São marcos históricos.

Alguns deles salvaram a indústria em momentos críticos. Outros apresentaram novas formas de contar histórias. Alguns ampliaram as possibilidades tecnológicas dos computadores e consoles, enquanto outros provaram que simplicidade e criatividade podem superar qualquer limitação técnica.

A seguir, apresentamos uma seleção dos 10 maiores clássicos dos videogames de todos os tempos, considerando quatro critérios principais:

  • impacto histórico

  • inovação em jogabilidade

  • legado cultural

  • influência duradoura na indústria

Não se trata apenas de nostalgia. Trata-se de compreender os pilares que construíram o universo dos games como o conhecemos hoje.


Super Mario Bros. (1985)

O jogo que salvou a indústria dos videogames

Quando Super Mario Bros. foi lançado em 1985 para o Nintendo Entertainment System (NES), a indústria dos videogames ainda se recuperava de uma crise devastadora ocorrida dois anos antes.

O chamado Crash de 1983 quase destruiu o mercado norte-americano de jogos eletrônicos. Consoles fracassados, jogos de baixa qualidade e excesso de lançamentos fizeram com que consumidores e varejistas perdessem a confiança no setor.

Foi nesse cenário que a Nintendo entrou com uma estratégia cuidadosa e um jogo que redefiniria os padrões de design para sempre.

Super Mario Bros. apresentava algo raro para a época: controle preciso, fases bem planejadas e uma progressão intuitiva que ensinava o jogador sem precisar de tutoriais. Cada obstáculo era introduzido gradualmente, permitindo que o jogador aprendesse experimentando.

Outro fator revolucionário foi o design de fases, onde cada mundo introduzia novas mecânicas sem quebrar o ritmo da aventura.

O resultado foi imediato: o jogo vendeu mais de 40 milhões de cópias, ajudou a restaurar a confiança na indústria e transformou Mario em um dos personagens mais reconhecidos da história da cultura pop.

Até hoje, muitos cursos de design de jogos utilizam o primeiro estágio do jogo (World 1-1) como exemplo clássico de design perfeito.

#665 • Super Mario Bros 1985


The Legend of Zelda (1986)

O nascimento da exploração nos videogames

Enquanto muitos jogos da década de 1980 seguiam estruturas lineares, The Legend of Zelda apresentou algo radicalmente diferente: um mundo aberto cheio de mistérios.

Lançado em 1986, o jogo colocava o jogador no controle de Link em uma jornada para salvar o reino de Hyrule. Porém, ao contrário da maioria dos jogos da época, não havia uma ordem rígida de progressão.

O jogador era incentivado a explorar, experimentar e descobrir segredos por conta própria.

Essa filosofia de design criava algo raro para a época: um verdadeiro senso de aventura.

Outra inovação importante foi o sistema de salvamento em cartucho, que permitia que os jogadores continuassem suas jornadas longas sem precisar começar tudo novamente.

Esse recurso tornou possíveis experiências muito mais profundas e narrativas mais complexas.

Com o passar dos anos, Zelda se transformaria em uma das franquias mais respeitadas da história dos videogames, influenciando diretamente gêneros como RPG de ação e jogos de exploração.

#663 • The Legend of Zelda - 1986


Tetris (1984)

A perfeição do design minimalista

Poucos jogos na história conseguem atingir o nível de pureza mecânica de Tetris.

Criado em 1984 pelo programador soviético Alexey Pajitnov, o jogo apresenta uma premissa extremamente simples: peças geométricas caem do topo da tela e devem ser encaixadas para formar linhas completas.

Mas por trás dessa simplicidade existe uma genialidade matemática e psicológica impressionante.

Tetris ativa áreas do cérebro relacionadas a:

  • reconhecimento de padrões

  • tomada rápida de decisão

  • planejamento espacial

Esse fenômeno ficou tão conhecido que pesquisadores chegaram a estudar o chamado “efeito Tetris”, no qual pessoas que jogam por longos períodos começam a visualizar as peças mesmo fora do jogo.

O título ganhou ainda mais popularidade quando foi lançado no Game Boy em 1989, tornando-se o jogo portátil mais icônico de sua geração.

Mais de quatro décadas depois, Tetris continua sendo lançado em novas plataformas, provando que um bom design é verdadeiramente atemporal.

#664 • Tetris 1984


Pac-Man (1980)

O ícone cultural que dominou os fliperamas

Nos anos 1980, os fliperamas eram dominados por jogos de tiro espacial inspirados em títulos como Space Invaders. Foi nesse cenário que surgiu um jogo radicalmente diferente.

Pac-Man, lançado em 1980 pela Namco, trouxe cores vibrantes, personagens carismáticos e uma mecânica acessível baseada em labirintos.

A ideia era simples: comer pontos enquanto fugia de fantasmas.

Mas o que parecia simples escondia uma complexidade estratégica surpreendente.

Cada fantasma possuía um comportamento próprio de inteligência artificial, criando padrões de perseguição únicos.

Isso fazia com que jogadores experientes aprendessem a prever movimentos e desenvolver rotas eficientes.

Pac-Man se tornou rapidamente um fenômeno cultural global.

O personagem apareceu em:

  • desenhos animados

  • músicas populares

  • brinquedos

  • produtos licenciados

  • programas de televisão

Foi também um dos primeiros jogos a atrair um público feminino significativo, ampliando o alcance dos videogames.

Até hoje, a silhueta do personagem é instantaneamente reconhecida em qualquer parte do mundo.

#667 • PacMan 1980


Doom (1993)

O jogo que popularizou o tiro em primeira pessoa

Quando Doom foi lançado em 1993 pela id Software, os computadores domésticos estavam entrando em uma nova era de capacidade gráfica.

O jogo colocava o jogador em uma base militar em Marte infestada por demônios vindos do inferno. Mas o que realmente impressionava não era apenas a temática — era a tecnologia.

Doom apresentava um motor gráfico extremamente rápido para a época, criando uma sensação de movimento fluida em ambientes tridimensionais.

O jogo também ajudou a consolidar o gênero FPS (First Person Shooter).

Mas talvez sua maior contribuição tenha sido outra: a cultura dos mods.

A id Software permitiu que jogadores modificassem o jogo e criassem seus próprios níveis, armas e campanhas.

Isso deu origem a uma comunidade criativa gigantesca e ajudou a formar uma geração inteira de desenvolvedores.

Além disso, Doom foi um dos pioneiros do multiplayer em rede local, popularizando partidas competitivas conhecidas como “deathmatch”.

Seu impacto foi tão grande que o jogo ainda recebe novas versões e adaptações décadas depois.

#671 • Doom 1993


Street Fighter II (1991)

O jogo que transformou os fliperamas em arenas

Antes de Street Fighter II, os jogos de luta eram relativamente simples e limitados.

O título lançado pela Capcom em 1991 mudou tudo.

Pela primeira vez, jogadores podiam escolher entre diversos personagens com estilos de luta distintos, cada um com movimentos especiais únicos.

Além disso, o jogo introduziu conceitos que se tornariam fundamentais no gênero:

  • combos

  • golpes especiais

  • equilíbrio competitivo entre personagens

Os fliperamas rapidamente se transformaram em arenas improvisadas de competição.

Jogadores se reuniam para testar habilidades, aprender técnicas e desafiar adversários.

Street Fighter II ajudou a criar a base do que hoje conhecemos como cultura competitiva dos jogos de luta.

Décadas depois, essa tradição evoluiria para torneios internacionais gigantescos, como o EVO Championship Series.

#666 • Street Fighter 1991


Minecraft (2011)

A liberdade criativa que redefiniu os jogos modernos

Lançado oficialmente em 2011, Minecraft mostrou que um jogo não precisa de gráficos realistas para conquistar o mundo.

Criado por Markus Persson (Notch), o jogo apresenta um universo composto por blocos cúbicos onde jogadores podem explorar, construir e sobreviver.

Não há um objetivo obrigatório.

Em vez disso, o jogo oferece ferramentas e liberdade para que cada jogador crie sua própria experiência.

Essa abordagem transformou Minecraft em algo muito maior que um jogo.

Ele passou a ser utilizado em:

  • educação

  • arquitetura virtual

  • programação

  • ensino de lógica

O jogo se tornou um fenômeno cultural global, com mais de 300 milhões de cópias vendidas, tornando-se o videogame mais vendido da história.

Além disso, a comunidade de mods e servidores personalizados ampliou ainda mais suas possibilidades.

Minecraft provou que imaginação pode ser mais poderosa que qualquer motor gráfico.

#668 • Minecraft 2011


The Legend of Zelda: Ocarina of Time (1998)

O padrão definitivo para jogos 3D

Quando Ocarina of Time foi lançado para Nintendo 64 em 1998, os jogos em três dimensões ainda estavam em fase experimental.

O título conseguiu algo extraordinário: transformar a fórmula de Zelda em uma experiência tridimensional perfeitamente funcional.

O jogo introduziu o inovador sistema Z-targeting, que permitia travar a câmera em inimigos durante o combate.

Esse recurso se tornaria padrão em inúmeros jogos de ação nos anos seguintes.

Além disso, Ocarina of Time combinava:

  • exploração

  • puzzles complexos

  • combate

  • narrativa cinematográfica

A trilha sonora, composta por Koji Kondo, também se tornou icônica.

Muitas de suas músicas ainda são reconhecidas instantaneamente por fãs ao redor do mundo.

Durante anos, o jogo ocupou o topo das listas de melhores jogos de todos os tempos em diversas publicações especializadas.

#662 • The Legend of Zelda: Ocarina of Time


Final Fantasy VII (1997)

Quando os videogames provaram que podiam contar grandes histórias

Na década de 1990, muitos jogos ainda eram vistos como entretenimento infantil.

Final Fantasy VII ajudou a mudar essa percepção.

Lançado em 1997 para o PlayStation, o jogo apresentou uma narrativa complexa e emocional envolvendo temas como:

  • identidade

  • memória

  • destruição ambiental

  • conflito corporativo

Seus personagens, especialmente Cloud Strife e Sephiroth, se tornaram ícones da cultura gamer.

O jogo também marcou a transição da série Final Fantasy para gráficos tridimensionais e cutscenes cinematográficas.

Isso elevou o nível narrativo dos videogames e mostrou que o meio poderia contar histórias tão envolventes quanto filmes ou livros.

Seu impacto foi tão grande que, décadas depois, a Square Enix iniciou um ambicioso projeto de remake em múltiplas partes.

#670 • Final Fantasy 1997


Grand Theft Auto V (2013)

O auge da era dos mundos abertos

Lançado em 2013 pela Rockstar Games, Grand Theft Auto V representa o ápice da evolução dos jogos de mundo aberto.

Ambientado na cidade fictícia de Los Santos, inspirada em Los Angeles, o jogo apresenta um mundo vivo, detalhado e repleto de atividades.

Uma das maiores inovações foi a possibilidade de alternar entre três protagonistas diferentes, cada um com personalidade e história próprias.

O jogo combina ação, sátira social e narrativa cinematográfica de forma única.

Além disso, o modo GTA Online transformou o título em uma plataforma de entretenimento contínuo, com atualizações constantes ao longo de mais de uma década.

Com mais de 190 milhões de cópias vendidas, GTA V se tornou um dos produtos de entretenimento mais lucrativos da história — superando muitos filmes de Hollywood.

#669 • GTA V 2013


Conclusão

Os grandes clássicos dos videogames não são definidos apenas por gráficos impressionantes ou números de vendas.

Eles são definidos por sua capacidade de mudar a forma como pensamos, jogamos e criamos videogames.

Cada título desta lista deixou uma marca profunda na indústria.

Alguns estabeleceram novas mecânicas. Outros abriram portas para narrativas mais sofisticadas. Alguns redefiniram o potencial tecnológico da época.

Juntos, eles contam a história de uma mídia que evoluiu de simples experimentos eletrônicos para uma das formas de arte mais influentes do século XXI.

Conhecer esses jogos é, em muitos sentidos, compreender a própria evolução da cultura digital.

E se a história dos videogames nos ensinou algo, é que a próxima revolução pode estar surgindo agora — em algum lugar, talvez em um pequeno estúdio independente ou até mesmo no computador de um jovem programador cheio de ideias.

Assim como já aconteceu tantas vezes antes.